Por que o ranger de dentes em crianças acontece e como identificar?

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Também conhecido como bruxismo infantil, o ranger de dentes em crianças é, atualmente, um hábito bastante comum em pequenos de até 6 anos de idade. Essa prática é caracterizada por um movimento involuntário realizado pela mandíbula, que geralmente aparece no período da noite, enquanto a criança dorme.

O problema é facilmente identificado pelos pais e pode variar de um quadro simples até algo mais agressivo.

Neste post, vamos mostrar quais são as principais causas do bruxismo infantil, como é possível identificá-lo e quais são os seus possíveis tratamentos.

Se você está interessado no tema, continue lendo este post:

Por que ocorre o ranger de dentes em crianças?

O hábito de ranger os dentes surge em bebês a partir de 1 ano de idade e pode ir até crianças com 10 anos. Mas os casos mais comuns estão entre 3 e 6 anos.

Em geral, ele serve como uma válvula de escape para os pequenos e estão diretamente associados com estresse e com problemas emocionais ou psicológicos.

Vale mencionar que é natural que o sistema mastigatório, como qualquer outra parte do organismo humano, evolua durante o desenvolvimento infantil. Nesse mesmo sentido, é possível dizer que surge uma necessidade natural do organismo se preparar para a troca de dentição e acomodar os dentes — o que resulta, muitas vezes, no bruxismo.

No entanto, o problema mais prejudicial começa a aparecer quando esse hábito se mantém pertinente e de uma maneira mais agressiva, resultando em danos à saúde do pequeno.

Quais são as causas do bruxismo infantil?

O bruxismo do sono pode estar associado a 3 tipos de causas principais.

A 1ª e a mais comum é relacionada com as condições emocionais, de estresse, de irritação infantil e de reflexos da ansiedade.

Isso significa que a criança pode sofrer com situações mais simples — como o início de um ano escolar, a separação do seu animal de estimação e a ansiedade por causa da chegada do seu aniversário — até situações mais complexas — como as brigas, a separação dos pais e a perda de um ente querido.

Ainda é possível dizer que situações de sobrecarga também contribuem para o aparecimento do problema. Alguns exemplos são:

  • o perfeccionismo;

  • as competições escolares;

  • a cobrança excessiva por parte de pais e de familiares;

  • a responsabilidade em excesso com as tarefas de casa e da escola.

A 2ª causa é associada com as condições físicas que podem iniciar o bruxismo no pequeno, como:

  • alterações neurológicas (síndromes e paralisia cerebral);

  • apnéia (popularmente conhecida como ronco infantil);

  • problemas de ordem sistêmica (respiração bucal e casos de asma e rinite, por exemplo);

  • qualidade ruim de sono;

  • refluxos gastroesofágicos;

  • e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Já a 3ª — e mais rara — causa está relacionada com os fatores genéticos. Aqui, as condições de determinadas famílias podem ocasionar o problema em crianças.

Como identificar o problema?

O jeito mais comum de identificar o bruxismo é à noite, enquanto as crianças dormem.

Ao ranger os dentes, é possível notar um barulho característico e incomum que ocorre por meio do atrito entre as arcadas dentárias.

Em alguns casos, os responsáveis pelo pequeno também podem notar um desgaste dentário, especialmente na pontinha dos dentes.

É válido falar que, assim que notar algum sinal como esses, você deve imediatamente levar o pequeno a um profissional para que seja feita uma avaliação mais clínica.

Hoje em dia, existe um exame específico que monitora o sono da criança (chamado polissonografia) e torna mais fácil a identificação do problema. Isso é fundamental para evitar que o hábito evolua e leve a consequências piores.

Quais são os danos causados à saúde?

Na maioria das situações, o hábito de ranger os dentes não causa problemas muito sérios. Entretanto, dependendo do estágio do bruxismo, ele pode causar danos mais graves à saúde do pequeno.

Os principais são:

Em casos assim, é elementar procurar um dentista especializado o mais rápido possível a fim de que o tratamento seja feito de acordo com o paciente e com a causa do problema.

Quais são os possíveis tratamentos?

Embora os tratamentos possam variar um pouco por causa das peculiaridades de cada paciente, na maioria dos casos, os profissionais buscam medidas para proteger as estruturas dos dentes por meio de um dispositivo bucal.

Também podem ser realizadas restaurações para corrigir o desgaste dentário e, em situações mais complexas, outros procedimentos específicos.

O que fazer em casa para amenizar o hábito?

Nos dias atuais, existem medidas simples e eficazes indicadas por profissionais que auxiliam a amenizar o ranger de dentes. As principais são:

  • realizar técnicas relaxantes que ajudam a diminuir a tensão e o estresse, como a prática de esportes físicos e de atividades artísticas;

  • programar uma rotina adequada para a criança e que envolva momentos de lazer, como um período destinado para as brincadeiras;

  • evitar que as crianças permaneçam por um longo período com alguns hábitos infantis, como o uso da chupeta e da mamadeira;

  • evitar gomas de mascar e o consumo de alimentos que exigem muito da musculatura;

  • e propiciar, para os pequenos, ambientes agradáveis, calmos, livre de ruídos e livres de uma iluminação intensa antes de dormir e no momento de levar a criança para a cama.

Pronto! Agora que você já viu como surge o ranger de dentes em crianças, quais são as suas principais causas, as consequências e os possíveis tratamentos, atente-se a isso.

Se perceber um sinal no seu filho, leve-o a um dentista especializado. Não se esqueça de que a busca por um profissional capacitado é indispensável para identificar o problema mais precocemente e, assim, garantir os tratamentos adequados, evitando que o problema evolua e gere danos mais graves à saúde do pequeno.

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Drª Talitha

A Drª Talitha de Cássia Silva Sousa tem 7 anos de atuação na área de odontologia e mais 9 anos de dedicação a área de prótese e reabilitação. Graduou-se em 2011 pela Faculdade de Odontologia de São José dos Campos — UNESP. Em 2014 tornou-se Mestre em Odontologia Restauradora, Especialidade de Prótese Dentária por meio do Programa de Pós-graduação do Instituto de Ciência e Tecnologia campus de São José dos Campos. Desde 2017 cursa Especialização em Ortodontia por meio da Instituição Ortogeo em São José dos Campos, unidade de ensino FACSETE — Faculdade de Tecnologia de Sete Lagoas.
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